Palco Aberto | Rcky Chaves em Manual Emocional para profissionais do século 21
5 de maio de 2026 - Palco Aberto
Me lembro da música do Lulu Santos chamada curiosamente – Tempos modernos.
Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear
Existe um problema silencioso acontecendo dentro das empresas.
Silencioso mesmo. Do tipo que não aparece no dashboard mas aparece na cara de quem já perdeu a paciência na terceira reunião do dia.
Vivemos um tempo curioso:
Nunca tivemos tanta tecnologia, tanto processo, tanto método com nome em inglês e, ainda assim, estamos mais desconectados do trabalho!
A pergunta não é mais “o que falta?”
A pergunta é: o que está sendo ignorado?
E aqui vai uma verdade meio desconfortável:
Não é dinheiro que está sendo desperdiçado. É energia! Energia emocional. Energia relacional. Energia humana.
Aquela que vai embora em:
- conflitos que poderiam ser conversas,
- retrabalhos que nasceram de um “ranço ou conflito de interesses”,
- climas pesados que ninguém nomeia,
- e falta de maturidade emocional nas relações interpessoais.
O ponto que ninguém quer assumir no cafezinho
No livro Liderança no Divã , eu apresento um dado que deveria fazer qualquer líder coçar a cabeça:
85% da nossa saúde mental é definida pela qualidade dos relacionamentos que cultivamos. E mais, um líder não tem noção do estrago emocional que ele pode causar na vida das pessoas, inclusive na dele própria!
Agora junta isso com outro dado simples:
Você passa mais tempo no trabalho do que com muita gente que ama.
Ou seja, o trabalho não é só um lugar onde você produz. É um lugar onde você adoece ou se fortalece.
E aqui entra a provocação que quase ninguém gosta de ouvir:
Não são só as empresas que são tóxicas, são as relações.
Todos nós temos pelo menos 3 personagens em nós, que governam nossas ações e que
causam todos estes problemas citados acima:
- O Vilão: manipula as pessoas pela intimidação, no grito, no medo, no controle.
- A Vítima: sempre sobrecarregada, sempre injustiçada, sempre esperando alguém salvar, que manipula as pessoas pela pena, dó, autocomiseração.
- O Herói: resolve tudo e depois cobra emocionalmente com juros e correção manipulando as pessoas pela sensação de dívida que ele produz no outro.
Muitas vezes não queremos assumir que estes personagens habita, em nós. Resistimos, negamos, justificamos ao máximo! Gosto mesmo é de gente como o Lulu Santos, cantor e compositor (pra mim o mais sincero do brasil):
E a gente vive junto
A gente se dá bem
Não desejamos mal
A QUASE ninguém..!
Admitir nossa pior versão é o que tem o potencial de nos fazer evoluir emocionalmente!
Agora me diz, com sinceridade:
Qual desses você interpreta quando a pressão sobe? O vilão, a vítima ou o herói? Porque o problema não é existir personagens habitando em nós. O problema é não ter consciência disso e deixar-se ser governado por eles.
Do controle à consciência: quando o jogo muda
Existe um outro tipo de relação. Menos dramática e muito mais potente. É quando as pessoas começam a assumir responsabilidade por:
- o que sentem,
- o que pensam,
- e principalmente pelo que fazem.
Aqui não tem vilão, vítima ou herói. Aqui tem gente adulta.
E gente adulta faz uma coisa revolucionária no mundo corporativo: conversa de verdade. Sem joguinho. Sem manipulação emocional disfarçada de “cultura”.
Empresas não quebram por falta de estratégia
Já vi empresas com:
- tecnologia de ponta,
- processos impecáveis,
- estratégia digna de GPTW (Great Place To Work) serem engolidas por algo muito mais simples: gente competindo entre
É quase cômico se não fosse trágico.
Quando a maturidade emocional entra em campo, algo quase mágico acontece
O ambiente muda. E não, não é papo motivacional barato.
É prática:
- As pessoas param de pisar em ovos.
- As ideias começam a aparecer (antes elas só sobreviviam na cabeça).
- As microviolências diminuem.
- E a colaboração deixa de ser frase bonita no mural.
E aí, sem esforço forçado, o resultado aparece.
No fim do dia (e talvez no começo de um novo jeito de trabalhar) não é sobre ter
mais ferramentas e metodologias. É sobre como as pessoas se relacionam enquanto usam essas ferramentas.
Então eu te deixo com uma pergunta daquelas que não dá pra responder rápido:
Sua empresa está investindo apenas em processos e recursos ou também investe em pessoas capazes de sustentá-los? Tem uma música do Milton Nascimento que sussurra isso tudo sem precisar de slide:
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Manso ou feroz
Doce ou atroz
Eu caçador de mim.
Porque no fundo não podemos nos esquecer que por trás de todo crachá existe um humano tentando dar conta da própria vida.
Escrito por Rcky Chaves. Conheça mais sobre o palestrante clicando aqui.